terça-feira, 23 de junho de 2009
Se conseguisse falar sem ser por metáforas...
O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...
São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.
São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.
Fernando Pessoa
segunda-feira, 15 de junho de 2009
Se conseguisse falar sem ser por metáforas...
Pensei há pouco que tornava a ver-te. Talvez não. Não sou capaz de dizer o que devia confessar-te: é que estou contigo sem te tocar, desde sempre e até ao fim. Ando à tua procura, será que te encontro? Estou aqui. Sou diferente, a minha pele mudou mas conserva o teu cheiro, mudei de ódios (já não me importo com os betos da escola), estou a pouco e pouco a ganhar gosto à vida, mas não te esqueço. será que me recordas? Lembras-te, como eu, do mais pequeno pormenor da casa do Meco? ou deixaste mergulhar tudo no silêncio da tua partida, na desordem da tua morte? ficou um fio da nossa vida na tua memória?"
De volta à poesia...
A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.
A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os guerreiros.
E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.
A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.
Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.
Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.
O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.
Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.
O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um perdão
simples e macio...
Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.
Carlos Drummond de Andrade
sexta-feira, 5 de junho de 2009
quarta-feira, 3 de junho de 2009
Social Democracia
Passo então a dar a definição:
Social-Democracia: Concepção política saída do marxismo, também designada de "socialismo democrático". Afirmou-se em finais do século XIX. Defende uma concepção menos interventiva do Estado do Estado. Aceita a propriedade privada, apostando numa política centrada em reformas sociais caracterizadas por uma grande preocupação com as pessoas mais carentes ou desprotegidas e uma distribuição mais equitativa da riqueza gerada.
A social-democracia, como política gradualista de transformação social, surgiu quando, em finais do século XIX, alguns partidos que se reclamavam do ideário marxista abandonaram esta orientação política. Eduard Bernstein (1850-1932) foi um dos lideres e teóricos políticos que operou esta ruptura no Partido Social Democrata da Alemanha. Bernstein começou por ser um defensor acérrimo das ideias de Marx e Engels, mas após rigorosa análise à evolução das sociedades onde a economia capitalista estava mais desenvolvida, convenceu-se que as teses marxistas estavam erradas. A revolução estava longe de ser nelas uma inevitabilidade histórica, como afirmava Marx. Pelo contrário seria até improvável que ocorressem. A partir de 1897, Bernstein publica um conjunto de artigos e livros onde refuta as teses marxistas:
1. A progressiva miséria dos trabalhadores não se verifica nas economias capitalistas avançadas;
2. As classes médias estavam longe de se dissolverem no proletariado;
3.O aumento da produção em massa das economias capitalistas, acaba por gerar um aumento de produtos para serem consumidos pelos próprios trabalhadores, tornado-os desta forma beneficiários da riqueza dos capitalistas. Em síntese, no capitalismo o seu estado mais desenvolvido, em vez de aumentar a pobreza, gerava uma melhoria do bem estar da população.
Assim sendo, o Partidos Sociais-Democratas em vez de contribuírem para o seu rápido colapso do capitalismo, através de uma revolução social, deveriam actuar no sentido do seu desenvolvimento de forma a garantirem que a distribuição da riqueza gerada se fizesse em prol dos mais desfavorecidos. A Social-Democracia torna-se assim parte interessada no desenvolvimento do próprio capitalismo.
O grande avanço da social-democracia na Europa, ocorre só depois da IIª. Guerra Mundial, quando os Partidos Socialistas aplicam com grande êxito os seus programas reformistas, em especial na Grã-Bretanha, Alemanha e nos países na Escandinavos. O bem estar alcançado pareceu de súbito confirmar as teses de Bernstein.
No princípio dos anos 70 era cada vez mais evidente que estes partidos haviam abandonado há muito a ideia de instaurarem um regime socialista. O Dilema "revolução ou reforma" deixara de fazer sentido. O que os distingue dos Partidos Liberais era sobretudo as suas preocupações de natureza social, nomeadamente com a pobreza e a exclusão social.
Espero que a explicação esteja esclarecedora...
E já agora, dia 7 mesmo que não seja para votar no Dr. Paulo Rangel, pelo menos, vão votar! :)
Fonte : http://afilosofia.no.sapo.pt/11SocialDemocracia.htm
Pensamento
Cesare Pavese
terça-feira, 26 de maio de 2009
65daysofstatic - Retreat! Retreat!
Não posso fazer um post com uma banda de post-rock sem fazer outro com 65daysofstatic...e sim, tal como no post anterior, é tudo junto "65daysofstatic"...Escusado será dizer que a minha onda agora é mesmo post-rock e math-rock...
Maybeshewill - He Films The Clouds
Realmente quando venho para a Lousã o que perco de alma ganho em cultura musical...Como é que é possível não ter conhecido Maybeshewill antes!?!?!?Mas pronto...Relativamente à música propriamente dita, esta pode ser um pouco "pesada" para alguns ouvidos mas o post-rock é assim mesmo...Mas(!) não deixem de ouvir...
toe - path
Acho Sempre positivo espalhar o math rock japonês...Quem gosta de Mogway vai adorar...Já ouvi o álbum todo e é de uma coerência e de uma alma que não há palavras....EnJOy
sábado, 23 de maio de 2009
Manuela Moura Guedes Vs Marinho Pinto
Ai Portugal, Portugal...Do que é que tu estás à espera...tens o pano na galera...outro no fundo do mar...
Oh Ditosa Pátria que tais filhos tens... LoL
sexta-feira, 22 de maio de 2009
Karl Jaspers in 'Iniciação Filosófica'
(Desafio-vos a encontrar Nietzsche aqui nas entrelinhas :) ...)
"A ânsia de uma orientação filosófica da vida nasce da obscuridade em que cada um se encontra, do desamparo que sente quando, em carência de amor, fica o vazio, do esquecimento de si quando, devorado pelo afadigamento, súbito acorda assustado e pergunta: que sou eu, que estou descurando, que deverei fazer?
O auto-esquecimento é fomentado pelo mundo da técnica. Pautado pelo cronómetro, dividido em trabalhos absorventes ou esgotantes que cada vez menos satisfazem o homem enquanto homem, leva-o ao extremo de se sentir peça imóvel e insubstituivel de um maquinismo de tal modo que, liberto da engrenagem, nada é e não sabe o que há-de fazer de si. E, mal começa a tomar consciência, logo esse colosso o arrasta novamente para a voragem do trabalho inane e da inane distracção das horas de ócio. Porém, o pendor para o auto-esquecimento é inerente à condição humana. O homem precisa de se arrancar a si próprio para não se perder no mundo e em hábitos, em irreflectidas trivialidades e rotinas fixas.
Filosofar é decidirmo-nos a despertar em nós a origem, é reencontrarmo-nos e agir, ajudando-nos a nós próprios com todas as forças.
Na verdade a existência é o que palpavelmente está em primeiro lugar: as tarefas materiais que nos submetem às exigências do dia-a-dia. Não se satisfazer com elas, porém, e entender essa diluição nos fins como via para o auto-esquecimento, e, portanto, como negligência e culpa, eis o anelo de uma vida filosóficamente orientada. E, além disso, tomar a sério a experiência do convívio com os homens: a alegria e a ofensa, o êxito e o revés, a obscuridade e a confusão. Orientar filosoficamente a vida não é esquecer, é assimilar, não é desviar-se, é recriar intimamente, não é julgar tudo resolvido, é clarificar.
São dois os seus caminhos: a meditação solitária por todos os meios de consciencialização e a comunicação com o semelhante por todos os meios da recíproca compreensão, no convívio da acção, do colóquio ou do silêncio. "
quinta-feira, 14 de maio de 2009
segunda-feira, 11 de maio de 2009
Radiohead - Fake Plastic Trees
Tinha eu os meus 10 anos +/- é de um dos primeiros albums deles ... Esta música foi inspirada no Jeff Buckley (que na altura não conhecia- infelizmente), depois de assistirem a um concerto dele...Genial!!!!
Drowning Pool - Bodies (Let The Bodies Hit The Floor)
Flashbacks...Estou numa de ouvir músicas da minha infância (Risos) Esta marcou os meus 14...15 aninhos...tão normal que o menino era :P
domingo, 10 de maio de 2009
Citação
Thomas Mann
sábado, 25 de abril de 2009
Pensamento
Thomas Mann
quarta-feira, 8 de abril de 2009
Citação
Filosofia como templo
domingo, 5 de abril de 2009
Imogen Heap - Let Go
"Gosto, gostei, gostava, não sei"...Agora já sei..."so let go 'cause there's beauty in the breakdown"...Some things are just not meant to be...
Drink up, baby down
mmm, are you in or are you out
leave your things behind
'cause it's all going off without you
excuse me, too busy you're writing your tragedy
these mishaps
you bubble wrap
when you've no idea what you're like
so let go, jump in
oh well, whatcha waiting for
it's alright
'cause there's beauty in the breakdown
so let go, just get in
oh, it's so amazing here
it's alright
'cause there's beauty in the breakdown
it gains the more it gives
and then it rises with the fall
so hand me that remote
can't you see that all that stuff's a sideshow
such boundless pleasure
we've no time for later now
you can't await your own arrival
you've 20 seconds to comply
so let go, jump in
oh well, whatcha waiting for
it's alright
'cause there's beauty in the breakdown
so let go, just get in
oh, it's so amazing here
it's alright
'cause there's beauty in the breakdown