sábado, 3 de outubro de 2009

Deftones-change

Esta música tem algo de especial...não é só um gajo a gritar com uma mosca...nem metáforas pseudo-kafkianas sobre metamorfose...
Tem algo que não dá pa perceber, mas dá vontade de começar um motim num concerto, não dá?...enfim..."i've watched you change"...

sexta-feira, 2 de outubro de 2009

CÂNTICO NEGRO

"Vem por aqui" - dizem-me alguns com os olhos doces
Estendendo-me os braços, e seguros
De que seria bom que eu os ouvisse
Quando me dizem: "vem por aqui!"
Eu olho-os com olhos lassos,
(Há, nos olhos meus, ironias e cansaços)
E cruzo os braços,
E nunca vou por ali...
A minha glória é esta:
Criar desumanidades!
Não acompanhar ninguém.
- Que eu vivo com o mesmo sem-vontade
Com que rasguei o ventre à minha mãe
Não, não vou por aí! Só vou por onde
Me levam meus próprios passos...
Se ao que busco saber nenhum de vós responde
Por que me repetis: "vem por aqui!"?

Prefiro escorregar nos becos lamacentos,
Redemoinhar aos ventos,
Como farrapos, arrastar os pés sangrentos,
A ir por aí...
Se vim ao mundo, foi
Só para desflorar florestas virgens,
E desenhar meus próprios pés na areia inexplorada!
O mais que faço não vale nada.

Como, pois, sereis vós
Que me dareis impulsos, ferramentas e coragem
Para eu derrubar os meus obstáculos?...
Corre, nas vossas veias, sangue velho dos avós,
E vós amais o que é fácil!
Eu amo o Longe e a Miragem,
Amo os abismos, as torrentes, os desertos...

Ide! Tendes estradas,
Tendes jardins, tendes canteiros,
Tendes pátria, tendes tetos,
E tendes regras, e tratados, e filósofos, e sábios...
Eu tenho a minha Loucura !
Levanto-a, como um facho, a arder na noite escura,
E sinto espuma, e sangue, e cânticos nos lábios...
Deus e o Diabo é que guiam, mais ninguém!
Todos tiveram pai, todos tiveram mãe;
Mas eu, que nunca principio nem acabo,
Nasci do amor que há entre Deus e o Diabo.

Ah, que ninguém me dê piedosas intenções,
Ninguém me peça definições!
Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
Sei que não vou por aí!


José Régio

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Akron Family - Love is Simple

"sabias que às vezes, as coisas simples são as mais bonitas?"
Valerá a pena se não for simples?


don't be afraid
it's only love

love is simple

don't be afraid
you're already dead

love is simple

I wanna be adored - Stone Roses (acoustic)

I dont have to sell my soul
Hes already in me...
Revivalista...

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Amanda Palmer - "I Want You, But I Don't Need You" - Live at The Music Box

Vale a pena sair à noite e conhecer gente que me ensine qualquer coisinha sobre musica... :D



I like you, and I’d like you to like me to like you
But I don’t need you
Don’t need you to want me to like you
Because if you didn’t like me
I would still like you, you see
La la la
La la la

I lick you, I like you to like me to lick you
But I don’t need you
Don’t need you to like me to lick you
If your pleasure turned into pain
I would still lick for my personal gain
La la la
La la la

I fuck you, and I love you to love me to fuck you
But I don’t fucking need you
Don’t need you to need me to fuck you
If you need me to need you to fuck
That fucks everything up
La la la
La la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me
Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said
I want you, but I don’t need you

La la la
La la la

I love you, and I love how you love how I love you
But I don’t need you
Don’t need you to love me to love you
If your love changed into hate
Would my love have been a mistake?
La la la
La la la

So I’m gonna leave you, and I’d like you to leave me to leave you
But lover believe me, it isn’t because I don’t need you (you know I don’t need you)
All I wanted was to be wanted
But you’re drowning me deep in your need to be needed
La la la
La la la la la la la la la

I want you, and I want you to want me to want you
But I don’t need you
Don’t need you to need me to need you
That’s just me
So take me or leave me
But please don’t need me
Don’t need me to need you to need me
Cos we’re here one minute, the next we’re dead
So love me and leave me
But try not to need me
Enough said
I want you, but I don’t need you

terça-feira, 8 de setembro de 2009

Devaneios de noites de nevoeiro

Resultado de uma noite de nevoeiro seguida de manhã de aguaceiros...


Escrevo no fim da preserverança,
Memórias de um efémero presente
Que não cessa de quebrar
a luz ao fundo do trilho...

Rua da profundidade...
Os caminhos desapareceram-me da alma...

O meu campo observa cores
De estigmas capazes de fazer naufragar
O céu em noites fugazes...

Gritos mudos ecoam
Incessantemente desse céu...

Céu de escassas esperanças,
De resplandescência...
Perece a meus pés...

Sentido?-Qual sentido?
Profundo?- Quem disse?
Delírios tristes de um gato vadio...
Ou serão?...

quarta-feira, 26 de agosto de 2009

Mas porquê?!?!...

«Às vezes dou este exemplo aos jogadores: aquilo que mais me enervou no filme Titanic foi quando os barcos iam a descer com as senhoras e as crianças e houve um indivíduo que se misturou».
Paulo Bento à Bola

quarta-feira, 19 de agosto de 2009

Tides From Nebula - Shall We?

Post- Rock Polaco...My new addiction (Juntamente com Pure reason revolution) ...Muito na onda de God is an Astronaut ou até de Mogway...Um dos álbums mais geniais e coerentes de que tenho memória...perfeito!

quarta-feira, 15 de julho de 2009

De volta à expressão...

Perdi-me no epílogo de ti…
Olhei para cima e só vi o mesmo fundo…
Repleto de mãos invisíveis,
Num qualquer crepúsculo de criação,
Que se queda pela simplicidade aparente
De uma falsa falta de paixão…

Voltei a sonhar traços imaginários
Com lápis de cera…

Pergunto-me se valeu a pena…

Foi só mais um dia

...calmo...breve...translúcido
Que chegou ao fim.

Os estóicos tinham razão…

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Pearl Jam - Black

Já não me lembrava disto (como é que é possível?..)...nem do facto de a letra ser uma das mais brutais de sempre...
"A piece of advice" não ouçam isto já bêbados com um copo de Gin na mão...Pode levar a uma espécie de experiência transcendental onde se atinge um nível de consciência mínimo...Não muito saudável para o comum dos mortais...


Hey...oooh...
Sheets of empty canvas
Untouched sheets of clay
Were laid spread out before me
As her body once did
All five horizons
Revolved around her soul
As the earth to the sun
Now the air I tasted and breathed
Has taken a turn
Ooh and all I taught her was everything
Ooh I know she gave me all that she wore
And now my bitter hands
Chafe beneath the clouds
Of what was everything
Oh the pictures have
All been washed in black
Tattooed everything
I take a walk outside
I'm surrounded by
Some kids at play
I can feel their laughter
So why do I sear
Oh, and twisted thoughts that spin
Round my head
I'm spinning
Oh, I'm spinning
How quick the sun can, drop away...
And now my bitter hands
Cradle broken glass
Of what was everything
All the pictures had
All been washed in black
Tattooed everything
All the love gone bad
Turned my world to black
Tattooed all I see
All that I am
All I'll be...
Yeah
Uh huh...uh huh...ooh...
I know someday you'll have a beautiful life
I know you'll be a sun
In somebody else's sky
But why
Why
Why can't it be
Why can't it be mine
(not sure?)
mm-hmm no yeah no
mm mmmm no nonono yeah yeah
we-
we belong
we belong together
together
oooh ooh
we-
we belong
we belong together
oh yeah

terça-feira, 7 de julho de 2009

Marcy Playground- Sex and Candy

Quem se lembra disto? :)
Bring back the Grunge ...

Citação

"Não seremos capazes de modificar um único homem; e se alguma vez o conseguíssemos seria talvez, para nosso espanto, para nos darmos também conta de outra coisa: é que teríamos sido nós próprios modificados por ele!"
Nietzsche

Pretérito menos-que-perfeito

Quando eu sonhava, era assim
Que nos meus sonhos a via:
E era assim que me fugia,
Apenas eu despertava
Essa imagem fugidia
Que nunca pude alcançar.
Agora que estou desperto,
Agora a vejo fixar...
Para que? - Quando era vaga,
Uma ideia, um pensamento,
Um raio de estrela incerto
No imenso firmamento,
Uma quimera, um vão sonho,
Eu sonhava - mas vivia:
Prazer não sabia o que era,
Mas dor não na conhecia...

Almeida Garrett

terça-feira, 23 de junho de 2009

Se conseguisse falar sem ser por metáforas...


O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.


Fernando Pessoa

segunda-feira, 15 de junho de 2009

Placebo - I Know

Não consigo deixar de ouvir...Vou fundar os Placebolicos anónimos...

Se conseguisse falar sem ser por metáforas...

"Rita, como vês estás sempre presente. É como a ligação entre nós, que receei nos continuasse a prender. Volto a ver-te, e no fundo espero cada dia. Mas há-de existir um momento em que todos partirão e tu continuarás viva. Despertaste qualquer coisa em mim, tens de criar o que e teu!
Pensei há pouco que tornava a ver-te. Talvez não. Não sou capaz de dizer o que devia confessar-te: é que estou contigo sem te tocar, desde sempre e até ao fim. Ando à tua procura, será que te encontro? Estou aqui. Sou diferente, a minha pele mudou mas conserva o teu cheiro, mudei de ódios (já não me importo com os betos da escola), estou a pouco e pouco a ganhar gosto à vida, mas não te esqueço. será que me recordas? Lembras-te, como eu, do mais pequeno pormenor da casa do Meco? ou deixaste mergulhar tudo no silêncio da tua partida, na desordem da tua morte? ficou um fio da nossa vida na tua memória?"

Daniel Sampaio in Tudo o que temos cá dentro

De volta à poesia...

A Noite Dissolve os Homens

A noite desceu. Que noite!
Já não enxergo meus irmãos.
E nem tão pouco os rumores que outrora me perturbavam.

A noite desceu. Nas casas, nas ruas onde se combate,
nos campos desfalecidos, a noite espalhou o medo e a total incompreensão.
A noite caiu. Tremenda, sem esperança...
Os suspiros acusam a presença negra que paralisa os guerreiros.

E o amor não abre caminho na noite.
A noite é mortal, completa, sem reticências,
a noite dissolve os homens, diz que é inútil sofrer,
a noite dissolve as pátrias, apagou os almirantes cintilantes!
nas suas fardas.

A noite anoiteceu tudo... O mundo não tem remédio...
Os suicidas tinham razão.

Aurora, entretanto eu te diviso,
ainda tímida, inexperiente das luzes que vais ascender
e dos bens que repartirás com todos os homens.

Sob o úmido véu de raivas, queixas e humilhações,
adivinho-te que sobes,
vapor róseo, expulsando a treva noturna.

O triste mundo fascista se decompõe ao contato de teus dedos,
teus dedos frios, que ainda se não modelaram mas que avançam
na escuridão
como um sinal verde e peremptório.

Minha fadiga encontrará em ti o seu termo,
minha carne estremece na certeza de tua vinda.

O suor é um óleo suave, as mãos dos sobreviventes
se enlaçam,
os corpos hirtos adquirem uma fluidez, uma inocência, um perdão
simples e macio...

Havemos de amanhecer.
O mundo se tinge com as tintas da antemanhã
e o sangue que escorre é doce, de tão necessário
para colorir tuas pálidas faces, aurora.


Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 5 de junho de 2009

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Social Democracia

Nos últimos dias tem surgido em conversas o tema da Social Democracia e o porquê de eu acreditar nesta e não no famigerado "socialismo" (que nunca fará sentido na minha cabeça). Posto isto lembrei-me de dedicar um post à explicação da social democracia em si. Isto pode parecer surpreendente para muita gente mas e se eu vos dissesse que a Social Democracia derivou do Marxismo?!?!!? Pois é...
Passo então a dar a definição:

Social-Democracia: Concepção política saída do marxismo, também designada de "socialismo democrático". Afirmou-se em finais do século XIX. Defende uma concepção menos interventiva do Estado do Estado. Aceita a propriedade privada, apostando numa política centrada em reformas sociais caracterizadas por uma grande preocupação com as pessoas mais carentes ou desprotegidas e uma distribuição mais equitativa da riqueza gerada.


A social-democracia, como política gradualista de transformação social, surgiu quando, em finais do século XIX, alguns partidos que se reclamavam do ideário marxista abandonaram esta orientação política. Eduard Bernstein (1850-1932) foi um dos lideres e teóricos políticos que operou esta ruptura no Partido Social Democrata da Alemanha. Bernstein começou por ser um defensor acérrimo das ideias de Marx e Engels, mas após rigorosa análise à evolução das sociedades onde a economia capitalista estava mais desenvolvida, convenceu-se que as teses marxistas estavam erradas. A revolução estava longe de ser nelas uma inevitabilidade histórica, como afirmava Marx. Pelo contrário seria até improvável que ocorressem. A partir de 1897, Bernstein publica um conjunto de artigos e livros onde refuta as teses marxistas:

1. A progressiva miséria dos trabalhadores não se verifica nas economias capitalistas avançadas;

2. As classes médias estavam longe de se dissolverem no proletariado;

3.O aumento da produção em massa das economias capitalistas, acaba por gerar um aumento de produtos para serem consumidos pelos próprios trabalhadores, tornado-os desta forma beneficiários da riqueza dos capitalistas. Em síntese, no capitalismo o seu estado mais desenvolvido, em vez de aumentar a pobreza, gerava uma melhoria do bem estar da população.

Assim sendo, o Partidos Sociais-Democratas em vez de contribuírem para o seu rápido colapso do capitalismo, através de uma revolução social, deveriam actuar no sentido do seu desenvolvimento de forma a garantirem que a distribuição da riqueza gerada se fizesse em prol dos mais desfavorecidos. A Social-Democracia torna-se assim parte interessada no desenvolvimento do próprio capitalismo.

O grande avanço da social-democracia na Europa, ocorre só depois da IIª. Guerra Mundial, quando os Partidos Socialistas aplicam com grande êxito os seus programas reformistas, em especial na Grã-Bretanha, Alemanha e nos países na Escandinavos. O bem estar alcançado pareceu de súbito confirmar as teses de Bernstein.

No princípio dos anos 70 era cada vez mais evidente que estes partidos haviam abandonado há muito a ideia de instaurarem um regime socialista. O Dilema "revolução ou reforma" deixara de fazer sentido. O que os distingue dos Partidos Liberais era sobretudo as suas preocupações de natureza social, nomeadamente com a pobreza e a exclusão social.


Espero que a explicação esteja esclarecedora...

E já agora, dia 7 mesmo que não seja para votar no Dr. Paulo Rangel, pelo menos, vão votar! :)


Fonte : http://afilosofia.no.sapo.pt/11SocialDemocracia.htm

Pensamento

Desaparecido o fervor de uma monomania, falta uma ideia central para dar significado aos momentos interiores esparsos. Em suma, quanto mais o espírito está absorvido por um humor dominante, mais a paisagem interior se enriquece e varia. É preciso procurar uma só coisa, para encontrar muitas.
Cesare Pavese